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Não Há Garantias

A política é uma piscina de moralismo duvidoso, egos inflados, faca, foice, carros blindados, cães de guarda e seus donos.

…E sempre foi.

…E não deveria ser.

O que eu menos gosto, em qualquer geração do Rap Brasileiro, é a falta de respeito. Varia, mas está sempre lá, nas rachaduras da parede.

MCEEs, DJs, produtores…

Vocês estão realmente tratando seus “parças”, “irmãozinhos de rima e batida” e/ou “mestres” c/ o devido respeito?

Você é fã ou quer entender o processo? Você quer adaptar algo, ou tem certeza que faria melhor?

Você quer simpatia, compreensão, sucesso ou longevidade?

Não há garantias.

Falar de política e Rap em linhas sequenciais não é acidental. Observe: somos todos políticos em campanha.

O jogo é tão sujo que costumam comemorar sensatez.

Certa vez, um amigo disse que o Rap não me merecia. Tivemos uma briga feia.

…Mas ele tinha alguma razão.

01.01.16

 

I

Isso não é rap de karaokê, chegado. Eu quebro as linhas feito as promessas que fizeram quando o sol apareceu. Eu me defino sem me definhar na base que criei tomando chá gelado. Procuram mil culpados, mas ninguém olha no espelho como MJJ em 88. Era Janeiro, eu tinha 13 e era um pouco mais feliz do que o presente. Presente! A mente abre gavetas, não as fecho pra lembrar de quem eu sou.
Irmão, o mundo sempre grita. A poesia habita no que faço. Se a sala inteira diz que é realeza, eu pinto quadros com a beleza que o papel tão bem traduz quando eu repito o que escrevi em frente ao mic. Tinta seca faz chuva. Rima fresca como a luva do romance de Machado. Conheço Guiomar, Jorge e Estevão, mas eu sou Luiz com Z. Filho do meio igual a Letterman e Gates. Quem andou pro lado errado: Kylo Ren, Ben Solo. A Força é magnífica, depende só do lado que o sujeito fica. Eu não ando de preto se a ideia é liberar e captar energia – em dia com as obrigações da casa, eu ando leve e tranquilo. Ouço gente dizendo que o que faço não tem mais valor. Então, se eu faço por amor e dá dinheiro, quem é burro? Mais forte é o sorriso frente ao murro, se o plano é me levantar de novo. De novo, ilumino gente tosca no caminho, quebrando o raciocínio.

Man In The Mirror (Garrett/Ballard)
A Mão E A Luva (Machado De Assis)
O Despertar Da Força (Kasdan/Abrams/Arnt)
Famous Middle Children, Google Search

BPM: 147

II

Se em frente ao microfone todo mundo for ladrão ou milionário, não preciso estar aqui – mais. Eu voo pela terra feito aviões de guerra, mas só dropo mantimentos pra sua mente. Fujo do vilarejo com ervas medicinais. Pediram mil sinais, que tal juízo sem o pre-
fixo o que penso em manifestos digitais de ouvir na esteira. Pode fazer besteira com a cultura, não me chame pra limpar – mais. O verso é pareado, mas é ímpar. Cheguei com vinte amigos, só sobraram 6 (x4).
Na festa sem dinheiro, agora eu tenho algum. Me chamam de Parteum porque importa. Ajudo quem escorregou na porta. Que tal jogar o jogo de pijama?

•••

BPM: 109

III

Instrumental: arpeggio/pizzicato
+ synthesizer, sem batida.

BPM: 93

2016 ℗ & © Parteum, Mudroi.
Todos os direitos reservados.
parteum.com

Chumbinho

A norma é levar bala de chumbinho via janela de “busão” por parecer haitiano. Quando eu digo que o brasileiro é estúpido por acreditar ser um coquetel europeu fino, me refiro a esse braço de ferro desnivelado entre o que o brasileiro acredita ser, invariavelmente branco e soberano, com a realidade — essa matéria estranha, mutante, cheia de cores e raiva de todos os tamanhos.
Eu chamaria de cegueira cultural, mas não é. Trata-se de falta de identidade e/ou cumplicidade.
Cada um vive como consegue, e deveria ser mais fácil viver. Se você está na rua atirando, sob a falsa premissa da defesa do seu país, da moral e dos bons costumes, lembre-se:

1. VOCÊ TAMBÉM FOI COLONIZADO.

2. VOCÊ TEM UM PEDACINHO DA ÁFRICA IMPRESSO NO SEU DNA.

3. OS HAITIANOS NÃO IRÃO EMBORA. NEM OS ÁRABES, NEM OS CHINESES, NEM OS COREANOS, NEM OS TURCOS, NEM OS LIBANESES, NEM OS JUDEUS, NEM OS CARIOCAS, NEM OS NORDESTINOS, NEM OS CAIPIRAS, NEM OS GAYS…

4. NEM EU.

5. LEIA O 1 NOVAMENTE.